Uma ligação inusitada movimentou um dos plantões do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Araguaína, na região norte do estado do Tocantins. Uma mulher ligou para fazer o pedido de uma pizza, mas, na realidade, esse foi o pretexto que ela encontrou para pedir socorro sem que o companheiro soubesse, após sofrer violência doméstica.
O caso aconteceu na madrugada do dia 19 de março deste ano e foi divulgado pela Prefeitura nesta terça-feira (28). A técnica auxiliar de regulação médica plantonista que atendeu o pedido de socorro disfarçado a princípio estranhou, já que, segundo a prefeitura, o órgão recebe muitos trotes.
Mesmo com o estranhamento, a atendente iniciou um protocolo que consiste em prestar atenção no som de fundo da ligação, para ajudar a identificar o que poderia estar acontecendo com a pessoa que solicitou ‘a pizza’.
A técnica percebeu que a mulher falava baixo e a atendente perguntou se ela precisava de ajuda, sendo confirmada pela vítima. “Pedi o endereço e um ponto de referência, e disse que enviaria a pizza. Na mesma hora, entrei em contato com a Polícia Militar”, lembrou a atendente, que não teve o nome divulgado.
Depois do atendimento, a PM informou ao órgão que, no endereço informado, no Jardim belo, a mulher tinha sido agredida. O suspeito, que é companheiro da vítima, teria sido preso em flagrante.
A Polícia Civil informou que o suspeito tem 43 anos e o inquérito que investiga o caso foi enviado ao Ministério Público Estadual (MPE). Ele foi indiciado por lesão corporal qualificada e injúria qualificada, em contexto de violência doméstica. Não há informações sobre o estado de saúde da vítima.
Diante da situação, que não é comum nos atendimento, a Prefeitura de Araguaína, por meio do Samu, informou que novos protocolos e treinamentos devem ser realizados para que os atendentes tenham maior percepção em situações parecidas.
“Não é algo convencional, mas os casos começam a ficar cada vez mais comuns no país, por isso vamos preparar nossa equipe para ficar cada vez mais sensível para chamados dessa natureza”, ressaltou Alberto Gomes, diretor administrativo do Samu.